segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sonhar nos vidros

Bem de noite. Não posso sair de casa porque mesmo em frente da porta, no sítio onde deixo a comida dos gatos, está uma raposa a jantar. Ou antes, a cear, dado o adiantado da hora (uma e treze da manhã). A raposa gosta da comida dos gatos, e não dá muita despesa porque é pouco maior do que um gato. Come como um gato, e é se eu a deixar em paz, se ficar apenas a observá-la, sem fazer um pequeno ruído que seja. Por isso não posso sair de casa. Já sei como é, já experimentei: abro a porta e ela corre o mais que pode em direcção ao montado; desaparece no escuro em menos de nada, como se se tivesse tratado apenas de um sonho meu, sonhado no vidro da porta.
Não sei se é possível sonhar nos vidros. Os sonhos são coisas tão antigas… Não devem dar para isso. Com as novas tecnologias é diferente. Numa entrevista, uma investigadora portuguesa muito conhecida falava das potencialidades que elas nos oferecem, ou podem vir a oferecer. Recomendou um pequeno filme onde algumas dessas potencialidades nos são mostradas, como num sonho. «A Day Made of Glass», é assim que se chama o pequeno filme, um dia feito de vidro. Não tem raposas. Pode-se ver no «YouTube». Parece que estamos a sonhar.

 

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