domingo, 14 de junho de 2015

Pela tarde fora


Vai pela minha mão,  e é pela tarde fora. O mais pequenino dos meus quatro filhos, de dois anos. Foto inventada pelo mais velho, de dez. Somando as quatro idades dá um número ainda assim inferior a todo o percurso que tenho vindo a fazer, mesmo que sorrateiramente me meta a subtrair alguma coisa do que já vivi. O tempo passa.

domingo, 7 de junho de 2015

No mosteiro


Batalha, ontem. Antes da noite às escuras pelo interior do mosteiro. Duas dezenas de escritores em busca de uma história.

sábado, 30 de maio de 2015

Sábado à tarde


Por aqui

Algumas flores um bocado extraterrestres.




Na ribanceira




O cão super-herói que até tem uma experiência relevante de frequência da Universidade de Évora (foto das cadeiras azuis) deixou-se há dias ludibriar por uma armadilha para os javalis. A noite já chegada e eu pelo caminho com a cadela sua companheira bem segura numa trela comprida (para ela não fugir, o que levaria a que andasse umas horas desaparecida). Ouvi o cão ganir por perto, quando o normal é ouvi-lo ladrar enquanto segue os cheiros dos escalavardos e dos javalis. Corri para o som dos ganidos com a cadela bem segura. Uma ribanceira, e o cão pendurado por uma das patas traseiras. Subi a custo – seria fácil sozinho, mas com a cadela tive de ter mais cuidado. Fomos os dois, porque não estive para perder tempo a procurar uma árvore em que conseguisse prendê-la. Era difícil estar na ribanceira a segurar o cão, que é bem pesado. Para conseguir usar as duas mãos, prendi a cadela a uma perna. Tentei libertar o cão do laço, mas os esforços para se libertar tinham feito apertar o nó de uma forma que me fazia ter dificuldade até para olhar. Mas ele estava calmo, por isso não devia ter a pata partida. Foi o que pensei, enquanto tentava desfazer o nó mesmo na ponta da pata, a uns dois centímetros das unhas. Só desfiz um bocado, a maior parte ficou. Eu costumo levar um pequeno machado, precisamente por causa dos javalis. Mas ontem não levei. Tinha no entanto o telemóvel. Ao fim de meia hora na ribanceira – eu, o cão calmo a perceber que não se devia mexer e a cadela meio agitada –, chegou o machado, e mais uma foice roçadeira, e uma tesoura de podar. A tesoura foi o melhor para cortar a armadilha, feita com um cabo de plástico bem duro e com metal lá dentro. Depois de cortar o cabo – coisa que não foi fácil –, deslizámos os três pela ribanceira. Já no caminho, cortei o resto de cabo que ainda apertava a ponta da pata do cão. Vi-o em menos de nada correr sem coxear. Uma corrida longa até perdê-lo dos meus olhos. Depois voltou, reapareceu do escuro, e tentou abraçar-me com um salto e as duas patas compridas, as da frente. Pareceu-me que quis primeiro ir ver se conseguia correr como antes. Vinha feliz.