sábado, 30 de maio de 2015

Sábado à tarde


Por aqui

Algumas flores um bocado extraterrestres.




Na ribanceira




O cão super-herói que até tem uma experiência relevante de frequência da Universidade de Évora (foto das cadeiras azuis) deixou-se há dias ludibriar por uma armadilha para os javalis. A noite já chegada e eu pelo caminho com a cadela sua companheira bem segura numa trela comprida (para ela não fugir, o que levaria a que andasse umas horas desaparecida). Ouvi o cão ganir por perto, quando o normal é ouvi-lo ladrar enquanto segue os cheiros dos escalavardos e dos javalis. Corri para o som dos ganidos com a cadela bem segura. Uma ribanceira, e o cão pendurado por uma das patas traseiras. Subi a custo – seria fácil sozinho, mas com a cadela tive de ter mais cuidado. Fomos os dois, porque não estive para perder tempo a procurar uma árvore em que conseguisse prendê-la. Era difícil estar na ribanceira a segurar o cão, que é bem pesado. Para conseguir usar as duas mãos, prendi a cadela a uma perna. Tentei libertar o cão do laço, mas os esforços para se libertar tinham feito apertar o nó de uma forma que me fazia ter dificuldade até para olhar. Mas ele estava calmo, por isso não devia ter a pata partida. Foi o que pensei, enquanto tentava desfazer o nó mesmo na ponta da pata, a uns dois centímetros das unhas. Só desfiz um bocado, a maior parte ficou. Eu costumo levar um pequeno machado, precisamente por causa dos javalis. Mas ontem não levei. Tinha no entanto o telemóvel. Ao fim de meia hora na ribanceira – eu, o cão calmo a perceber que não se devia mexer e a cadela meio agitada –, chegou o machado, e mais uma foice roçadeira, e uma tesoura de podar. A tesoura foi o melhor para cortar a armadilha, feita com um cabo de plástico bem duro e com metal lá dentro. Depois de cortar o cabo – coisa que não foi fácil –, deslizámos os três pela ribanceira. Já no caminho, cortei o resto de cabo que ainda apertava a ponta da pata do cão. Vi-o em menos de nada correr sem coxear. Uma corrida longa até perdê-lo dos meus olhos. Depois voltou, reapareceu do escuro, e tentou abraçar-me com um salto e as duas patas compridas, as da frente. Pareceu-me que quis primeiro ir ver se conseguia correr como antes. Vinha feliz.